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the 99






Está será a primeira postagem de muitas sobre: The 99 e o seu criador se chama Dr Naif Al-Mutawa.
Um projeto maravilhoso, elogiado pelo presidente americano Barack Obama.
Trata-se de um universo de heróis baseado no conceito islâmico de heroísmo, inclusive com um apelo e necessidade ligada as questões islâmicas, como conter o crescimento de grupos terroristas.

O site oficial é http://www.the99.org/.

Existem vídeos ótimos que mostram o autor do projeto conceituando sobre criação, base teórica de criação, objetivos e comparações com os heróis mais conhecidos.



É algo (em minha opinião) primoroso que merece um acompanhamento de perto.

Parabéns PAC-MAN!




30 anos hein?!?!?! Parabéns Pac-man.

Aliás, é um grande orgulho saber que eu tenho a mesma idade de um dos grandes heróis, ícones dos videogames.

Sinceramente, não me lembro quando comecei jogar videogame (que nem era meu, era do meu pai, um Dactar), porém em minhas primeiras memórias o Pac-man já estava presente, eu chama de "come-come".

Quem merece os parabéns também é o seu criador Toru Iwatani, o seu criador.

Vida Longa ao Pac-man!

Tirandentes - O Herói

Dia de 21 de abril, feriado nacional de Tiradentes.

Será que os feriados cumprem a real razão da lembrança e homenagem?
Depois da escola, ficamos cada vez mais longe desses valores.

Ai eu fiquei pensando: "Seria bacana explorar esses personagens e eventos históricos, não sei como, mas seria um resultado muito bom".

Fui no Yotube procurar algumas referências e achei uma animação que salvou o meu dia. Gostei muito a possibilidade da representação histórica em desenho (sobretudo com bom humor).

Gostaria de dividir com vocês:



Com certeza Tiradentes é um de nossos heróis, assim eu acho e talvez você discorde, mas deve concordar que além de tudo, nos deu um dia de descanso no meio da semana.

Obrigado Tiradentes!

Visitamos a Abrin 2010!



Na última semana ocorreu na cidade de São Paulo a Feira Internacional de Brinquedos.
Foi uma ótima experiência poder visita-la, listo aqui os motivos:

- conhecer a indústria dos brinquedos e como ela está organizada;
- entender mais sobre o mundo do entretenimento;
- ver os produtos e suas licenças: Homem de Ferro em primeiro, depois tem as Princesas da Disney, Ben 10, Toy Story. Basicamente: muito Marvel, nada DC;
- saber mais sobre a indústria de jogos educativos e tabuleiros em geral.

Não esperava que fosse tão valoroso e agregasse tanto valor, inclusive para compreender os games eletrônicos.

Referência! O segredo de boas criações...

Você gosta de criar histórias?
Hoje em dia com games, quadrinhos e cinemas, a concorrência obriga você a ter criatividade, uma boa lógica que amarre os elementos e com certeza boas referências de criação.
Hoje muitas histórias são colchas de retalhos, formação se transforma em informação (vide os exemplos filosóficos de Matrix) e clássicos são adaptados aos padrões modernos ( James Bond e Sherlock Holmes, hoje tem artes marciais e lê parkuor), o modelo parece bem simples: ter referências e como relaciona-las.
Existem milhares de exemplos que expressam isso, Starwars, Thundercats, Os Simpsons, Ben 10, Cowboy Beebop, Samurai Champloo.
Precisa estar em constante atualização, ler os clássicos e fazer a lição de casa: decompor os elementos de uma determinada história, reagrupa-los em ordens diferentes.

Algumas coisas aguçam meu senso criativo, ultimamente alguns vídeos do youtube e o conceito de criação SteamPunk (se quiser saber mais clique aqui).

Feliz Dia da Consciência Negra!

20 de Novembro é celebrado o dia da Consciência Negra. Aqui tem um link (clique aqui) que descreve sobre a Consciência Negra e suas razões.

Este Blog combate o preconceito de toda e qualquer espécie e é muito feliz por ser brasileiro!

Registramos aqui um feliz dia da Consciência Negra para todos e deixamos um vídeo de dois heróis de descendência africana que fazem parte da cultura Gamer.


Joseph Campbell, o camisa 10 do monomito.

Joseph Campbell estudioso da mitologia, elaborou o Monomito ou a Jornada do herói, baseado na seguinte fórmula: conceito dos arquétipos de Jung + forças inconscientes de Freud + sistematização de Arnold van Gennepdos para ritos de passagem.

Muitos roteiristas beberam e bebem nessa fonte, Star Wars, Diney e Matrix são exemplos notórios.

Os 12 Estágios da Jornada do Herói
Mundo Comum - O mundo normal do herói antes da história começar.
O Chamado da Aventura - Um problema se apresenta ao herói: um desafio ou a aventura.
Reticência do Herói ou Recusa do Chamado - O herói recusa ou demora a aceitar o desafio ou aventura, geralmente porque tem medo.
Encontro com o mentor ou Ajuda Sobrenatural - O herói encontra um mentor que o faz aceitar o chamado e o informa e treina para sua aventura.
Cruzamento do Primeiro Portal - O herói abandona o mundo comum para entrar no mundo especial ou mágico.
Provações, aliados e inimigos ou A Barriga da Baleia - O herói enfrenta testes, encontra aliados e enfrenta inimigos, de forma que aprende as regras do mundo especial.
Aproximação - O herói tem êxitos durante as provações
Provação difícil ou traumática - A maior crise da aventura, de vida ou morte.
Recompensa - O herói enfrentou a morte, se sobrepõe ao seu medo e agora ganha uma recompensa (o elixir).
O Caminho de Volta - O herói deve voltar para o mundo comum.
Ressurreição do Herói - Outro teste no qual o herói enfrenta a morte, e deve usar tudo que foi aprendido.
Regresso com o Elixir - O herói volta para casa com o "elixir", e o usa para ajudar todos no mundo comum.

Segue algo para explicar/inspirar/identificar.





Palestra sobre Personagens e seus Universos

Hoje dei uma palestra muito legal para o curso de Animação 2D,na turma de Artes Plásticas, Professor Pelopydas Cipriano. Unesp, Blav, Barra Funda.

Misturei os conceitos da Teoria geográfica da paisagem para auxiliar os alunos a criarem personagens e seus respectivos universos.

Eu até me empolguei e criei um para mostrar no curso.

Um clima super divertido e arrojado, pelos os alunos artistas e também pelo professor artista Pel e seus vídeos sobre Thunderbirds (FANTÁSTICO).

REGISTRO AQUI MEU MUITO OBRIGADO.

GAME ARTE 2 - Pinball + Elton John e outros

Voce conhece o THE WHO? E as "óperas rock"? Uma delas que se tornou muito famosa foi Tommy. Um rapaz cego que jogava Pinball. Realmente algo psicodélico no clima de Hair e Jesus Cristo Super Star, porém caso analisarmos com cuidado, cada referência vemos o registro da época, inclusive podemos fazer algumas análises em relação ao conceito que os games exerciam enquanto simbologia social. Seria isso uma herança?



Para quem se interessou, postarei a história (original, clique aqui) e para quem ler tudo, no final um clipe com Elthin John interpretando o Pinball Wizard.

Tommy é um filme musical baseado na "ópera rock" lançada em 1969 pelo The Who. Foi dirigido por Ken Russell e apresenta um elenco de estrelas da música, incluindo os próprios integrantes da banda. Ann-Margret foi premiada com um Globo de Ouro por sua atuação e indicada ao Oscar de Melhor Atriz.
Durante a II Guerra Mundial o Capitão Walker é considerado morto em batalha. Sua esposa Nora Walker fica com a tarefa de cuidar sozinha de Tommy, filho recém-nascido do casal. Nora se envolve com Frank Hobbs, mas em 1951 seu antigo marido retorna repentinamente e é morto por Frank. O garoto Tommy presencia tudo, mas sua mãe e seu padrasto insistem que ele não viu, ouviu e não vai falar nada a ninguém, e em consequência Tommy se torna cego, surdo e mudo. Já adolescente, Tommy se torna um campeão de pinball, trazendo fama e fortuna para sua família. Depois de curado, ele se torna uma espécie de figura messiânica e angaria um culto de seguidores, que no final rejeitam seus ensinamentos e o abandonam.
Na adaptação do roteiro algumas mudanças foram feitas em relação à história original, entre elas:
A ambientação, da I Guerra Mundial no original para a II Guerra no filme(Exemplo:Na música 1921 o verso "I've got feeling '21" mudou para "I've got feeling '51" transformando a música em 1951) .
No álbum o Capitão Walker mata o amante de sua esposa; no filme, ocorre o contrário.
A composição de novas músicas, como "Prologue 1945", "Bernie's Holiday Camp", "Champagne", "Mother and Son" e "T.V. Studio", que não constavam no álbum original.
Outras canções, como "Pinball Wizard", "Christmas" e "Amazing Journey" tiveram seus versos alterados.
A música "1921" mudou para "1951".
Em 1975 a Polydor lançou em álbum duplo a trilha sonora original do filme:
Disco 1
1) Overture From Tommy - The Who
2) Prologue 1945 - Pete Townshend/John Entwistle
3) Captain Walker/It's A Boy - Pete Townshend
4) Bernie's Holiday Camp - The Who
5) 1951/What About The Boy? - Ann-Margaret/Oliver Reed
6) Amazing Journey - Pete Townshend
7) Christmas - Ann-Margaret/Oliver Reed/Alison Dowling
8) Eyesight To The Blind - Eric Clapton
9) Acid Queen - Tina Turner
10) Do You Think It's Alright (I) - Ann-Margaret/Oliver Reed
11) Cousin Kevin - Keith Moon
12) Do You Think It's Alright? (II) - Ann-Margaret/Oliver Reed
13) Fiddle About - The Who
14) Do You Think It's Alright? (III) - Ann-Margaret/Oliver Reed
15) Sparks - The Who
16) Extra, Extra, Extra
17) Pinball Wizard - Elton John
Disco 2
1) Champagne - The Who/Ann-Margaret/Roger Daltrey
2) There's A Doctor - Ann-Margaret/Oliver Reed
3) Go To The Mirror - Ann-Margaret/Oliver Reed/Jack Nicholson/Roger Daltrey
4) Tommy Can You Hear Me? - Ann-Margaret
5) Smash The Mirror - Ann-Margaret
6) I'm Free - Roger Daltrey
7) Mother And Son - Pete Townshend
8) Sensation - Roger Daltrey
9) Miracle Cure - Simon Townshend
10) Sally Simpson - Pete Townshend/Roger Daltrey
11) Welcome - Roger Daltrey
12) T.V. Studio - The Who/Ann-Margaret/Roger Daltrey
13) Tommy's Holiday Camp - Keith Moon
14) We're Not Gonna Take It - Pete Townshend/Roger Daltrey
15) See Me, Feel Me/Listening to You - Roger Daltrey


Adeus ao Rei do Pop, inclusive nos Video-Games!

Este post é uma singela homenagem a Michael Jackson. Tal fato não poderia passar em branco. Sinto-me feliz pelo auge de sua carreira ter feito parte de minha infância e adolescência: tentar imitar os passos na hora no lanche, ter visto seus video-clips até a exaustão e ter jogado muito Moonwalker.

Michael Jackson, descanse em paz.

Deixo aqui o tributo que o site de Jogos On-Line Miniclip fez ao Rei do Pop (personagens de seus jogos, dançando Thriller).

Entrevista , com John Ridley, roteirista de filmes, falou sobre jogos de tabuleiro e filmes na indústria de Hollywood no portal americano de notícias NPR.
(para ver o original clique aqui)

Para ouvir a entrevista no Podcast clique aqui.

Morning Edition, June 24, 2009 · Hollywood loves a good story, particularly if that story comes from something besides an original script. From Gone with the Wind to Harry Potter, Tinseltown spinning source material into box-office gold is a Hollywood tradition as old as younger, hotter third wives.

So in Hollywood there's an entire microeconomy of highly paid folks who race around trying to figure out what's the next hot trend to turn into a movie. And the next hot trend is ...

Board games.

Yes, really. Board games. Reportedly, directors as notable as Ridley Scott and Peter Berg have respectively signed on to big-budget versions of Monopoly and Battleship, and there's even a version of Candy Land in the works. No word yet, though, on the Steven Spielberg adaptation of Chutes and Ladders.

It might seem like trying to turn board games into event movies is the height of creative laziness. Actually, Land of the Lost is the height of creative laziness. But there might be some rationality to the board game idea.

For a while now, the source material du jour has been video games. The thinking: If 18- to 29-year-old males will pay 50 bucks to interact with a game console for hours on end, surely they'll pay 12 bucks to sit and watch a movie based on the game they could be home enjoying. But that kind of logic gave us films like Doom and Hitman and Resident Evil, and a whole bunch of other stuff that's gonna go straight into the American Film Institute's vault for priceless gems.

The consensus in Hollywood wasn't that video game movies sucked, but that the source material they came from was far too complicated for the general public. So, Hollywood figured it needed to base movies on something a little less complex. Like theme-park rides. Country Bear Jamboree, Haunted Mansion and Pirates of the Caribbean were all theme-park attractions before they were movies. It worked. Three Pirates movies later, Hollywood came to the conclusion that the simpler the source material, the bigger the box office success. So from theme park rides, we got downgraded to toys. Transformers, and this summer Transformers 2 and G.I. Joe. And if toys could hit it big, didn't it just figure something more simplistic would hit it even bigger?

Board games.

Truth is, while everywhere else in the world familiarity breeds contempt, in Hollywood it tends to breed comfort. Execs like to go with what they know, and what they know is name recognition makes it easier to cut through the constant white noise of advertising and help a film gain awareness. But does that guarantee a good movie? I suppose that depends on how you feel about the 1985 movie version of the board game Clue.

You do remember the 1985 movie version of the board game Clue … don't you?

Problemas com a imaginação? MangaMatrix é a solução!!


MangaMatrix - Create Unique Characters Using the Japanese Matrix System - Hiroyoshi Tsukamoto.

Trata-se de uma interessante proposta de criação de personagens. Através de um sistema matricial no cruzamento de característica e ótimos exemplos de utilização, é um instrumento extremamente válido para elaborar um visual diferente e com isso encontrar detalhes para seu enredo. 

Se voce cria personagens, aconselho a leitura!

Ao começar pensar criticamente sobre os games, invetavelmente questionei a parte que cabe nessa história aos heróis/personagens, que além de permitir uma identificação, acabam se tornando veículos de expressão.

Por isso gostaria de deixar-lhes aqui uma dica: Nossos Deuses São Super-Heróis, de Christopher Knwoles, Cultrix. Trata-se de algo tão original, denso e instigante que é impossível ler este livro e não ficar com extremas reflexões. Fala principalmente do imaginário social através da história, as diversas influências religiosas, sociedades secretas, o mercado de quadrinhos dos Estados Unidos e as particularidades da  vida dos autores.

Realmente trata-se de uma obra indipensável para alguem quem cria personagens.

Entrevista de Maurício de Souza para as "páginas amarelas" da Veja.

Faz um certo tempo que esta entrevista foi publicada. Achei que seria interessante  trazer as idéias Maurício de Souza, pelas seguintes razões:

- A transformação dos personagens frente as constantes mudanças do mundo. 

- As opniões do criador, os argumentos e mesmo particularidades de sua vida por ele mesmo.

- A Turma da Mônica ser algo genuinamente do Brasil e que todos crescemos lendo. 


O desenhista Mauricio de Sousa é o criador do personagem infantil brasileiro de maior sucesso em todos os tempos, a Mônica. Agora, numa manobra incomum no mundo dos quadrinhos, ele acaba de reinventá-la. Na revista Mônica Jovem, já na quinta edição, a menina dentuça e voluntariosa se transformou numa adolescente sensual, que veste minissaia e beija os rapazes na boca. O sucesso da publicação é estrondoso, com 410 000 exemplares vendidos, contra 200 000 que costuma vender o gibi da Mônica ainda criança. A mudança da personagem, alega Mauricio, foi uma forma de se adaptar às transformações de uma sociedade em que a infância é cada vez mais curta. "Se antes adolescentes de 14 anos ainda liam e gostavam dos meus gibis, hoje eles começam a deixar de lê-los aos 7", ele diz. Aos 73 anos, Mauricio falou a VEJA do futuro dos gibis, da experiência dolorosa de ter um filho sequestrado e de sua família numerosa.

Como explicar que os gibis da Mônica adolescente vendam o dobro dos da Mônica criança? Em cinco décadas, uma mudança extraordinária aconteceu no nosso público. Se antes adolescentes de 14 anos ainda liam e gostavam dos meus gibis, hoje eles começam a deixar de lê-los aos 7. Aos poucos, passam a considerar aTurma da Mônica coisa de criança e a comprar mangás japoneses. Quando estão com 10 anos, já se assumem como jovens. São os pré-adolescentes, meninos e meninas com preocupações e vontades diferentes daquelas que havia quando a Mônica foi publicada pela primeira vez. A infância, portanto, encolheu. Há mais ou menos cinco anos, comecei a pensar em uma maneira de não perder esses leitores. Minha solução foi oferecer a eles um pouco do universo jovem, que até então era reservado aos mais velhos. Pegamos os tradicionais personagens da Turma da Mônica e os inserimos em histórias com uma boa dose de relacionamento. Eles agora protagonizam cenas de ciúme, sentem atração pelo outro sexo e ficam inseguros no grupo. Estão com os hormônios pipocando e não sabem o que fazer com isso. No quarto número, colocamos a Mônica beijando na boca o Cebolinha, agora chamado de Cebola. Deu supercerto. Crianças de 7 anos voaram para o mangá como abelhas no mel. Leem as histórias e se projetam nos nossos personagens. As meninas não veem a hora de ser como a Mônica jovem: descolada, bonitinha, moderninha.

"Hoje a criança ouve
música, joga videogame
e estuda, tudo ao
mesmo tempo.
Quando pega um gibi,
contudo, ela fica
completamente
mergulhada na história.
Os gibis e os livros
ajudam os pequenos
a se concentrar"

Estamos perdendo anos preciosos da infância? Essa melancolia que vejo em muitos adultos não faz sentido. Nada está sendo perdido. A questão é que tudo ficou mais intenso, condensado.
A infância diminuiu em quantidade, mas ganhou em qualidade. As crianças de hoje aproveitam mais e melhor o tempo e se tornam cidadãs e se formam como ser humano antes do tempo. Logo, logo, será preciso adiantar as datas para que possam entrar mais cedo na faculdade. Elas fazem tudo ao mesmo tempo e não se queixam disso. Não têm preguiça. Meu filho Marcelinho, de 10 anos, está passando alguns dias em uma cidade pequena no interior da Bahia. Está adorando conviver com um monte de crianças com bagagem cultural diferente. Brinca na rua, nada no rio, anda de jegue e joga bola livremente. A qualidade dessa experiência pela qual ele está passando é fantástica. O Marcelo está fazendo as coisas que eu fiz quando era pequeno. Mas ele não precisa passar vários anos da vida fazendo isso. Pode ficar apenas dez dias. Quando voltar a São Paulo, retornará para as aulas de inglês e será novamente um dos campeões de xadrez da escola. Jogará videogame e assistirá à novela. Então essa experiência na Bahia se somará às outras. É uma vida vibrante. O Marcelo não é excepcional. Todas as crianças hoje o são, mesmo as que moram em bairros pobres e favelas.

O senhor foi criticado quando criou a Mônica jovem? No Orkut, teve gente dizendo que eu apelei, que estava expondo as crianças a algo nocivo. Pura besteira. Os pequenos não entendem que uma roupa curta ou um decote têm algo a ver com sexualidade. Eles interpretam isso como algo fashion, colorido, quase uma mensagem gráfica. Outros disseram que eu devia estar sob efeito de alguma droga, que eu tinha matado a Mônica. Esquecem ou não percebem que nosso trabalho sempre tem a família como foco principal. Acontece que nas casas de hoje se pode conversar sobre tudo: sexo, drogas, violência. Se o pai não puxa esses assuntos, o filho de 5 anos faz isso por ele. É preciso parar de tratar as crianças como seres inferiores, sem senso crítico, sem experiência de vida. Tudo pode virar tema. Não é preciso censurar, apenas deve-se tomar cuidado para usar uma linguagem correta. Em 2004, decidimos que o Xaveco, amigo do Cebolinha e do Cascão, seria filho de pais separados. Ele passaria alguns dias com o pai e outros com a mãe, normalmente. Depois que publicamos a primeira história do Xaveco, nós nos sentamos e ficamos esperando os e-mails e cartas de reclamação. Não houve um único sequer. É um exemplo claro de como o mundo mudou.

O Menino Maluquinho, criação do cartunista Ziraldo, é filho de pais separados e vai fazer trinta anos em breve... O Ziraldo avança mais do que eu. Tenho de ser mais cuidadoso. No estúdio, no parque de diversões e nos escritórios de apoio, temos 500 pessoas trabalhando. Ainda há os funcionários da gráfica e das empresas que fazem os brinquedos. É uma responsabilidade muito grande. Tem gente pedindo para eu criar um personagem gay. Esse tema ainda é muito novo. Mas eu sei que, no futuro, se essa tendência continuar, será natural ter um homossexual na Turma. No meu estúdio, digo que não devemos levantar uma bandeira e ir à frente de uma passeata. Devemos segurar a bandeira quando ela já está passando. Precisamos falar a língua do dia e da hora, mas tomando certos cuidados. Foi com essa fórmula que construí minha carreira.

O senhor já pensou em criar um personagem rebelde ou fazer histórias para adultos com mais realismo? Confesso que não saberia fazer isso. Minhas histórias sempre têm uma preocupação, uma proposta de futuro. Tenho para com meus personagens uma atitude parecida com a que exerço com meus filhos. Às vezes, convoco um deles para um sermão, pedindo que se comporte melhor. Muita gente reclama que eu deveria mostrar coisas negativas, como miséria e fome. Também não é a nossa proposta. Durante a II Guerra, todos os personagens dos quadrinhos americanos foram para o campo de batalha. Todos menos o Ferdinando, do Al Capp. Quando perguntaram ao desenhista se o personagem era contra os Estados Unidos, Al Capp respondeu que o soldado que lia o jornal na trincheira não queria saber de guerra. Ele precisava, sim, é de algo gostoso, bucólico, que o fizesse lembrar que tinha um lugar para retornar quando o conflito acabasse. É essa, um pouco, a nossa ideia. Promovemos lazer, entretenimento e diversão. O resto, a criança encontra na televisão ou na esquina.

Chico Bento é um personagem rural em um país no qual a maior parte da população é urbana. O personagem ainda faz sentido? Chico Bento não vai sumir, porque as pessoas estão retornando ao campo. Não querem viver em uma tapera, mas almejam um lugar com qualidade de vida, perto da natureza. É isso que o Chico representa. Se pudesse, eu me mudaria para Caçapava, onde tenho uma chácara. Nos últimos anos, expulsei meus roteiristas de São Paulo. Eles trabalham em Porto Alegre, Ribeirão Preto, Jundiaí, Florianópolis e me mandam material diariamente. A cada trinta ou quarenta dias, todos se reúnem para uma conversa. Também não acho que Chico Bento fale de um lugar totalmente utópico ou idílico. Há um monte de cidades povoadas por gente simples, singela como ele. Basta procurar. Na China, o Chico faz mais sucesso que qualquer outro personagem. Os chineses são um povo rural, com a cabeça no campo. Adoram o nosso caipira.

Com a internet, o celular e a preocupação com o consumo de papel, existe um futuro para os gibis? O papel pintado ainda vai durar muito tempo. Há uma diferença gigantesca entre a atenção que as crianças dão ao que está no papel e a dedicada ao que aparece nos equipamentos modernos, como videogame e computador. Meu filho Maurício ouve música com três telas ligadas, joga videogame e estuda ao mesmo tempo. Para quem é mais velho parece estranho, mas as crianças de hoje conseguem fazer isso normalmente. Quando uma criança pega um gibi, contudo, ela se isola totalmente do mundo. Fica completamente mergulhada na história. Com isso, o gibi ou o livro ajudam os pequenos a se concentrar. O cérebro deles estabelece uma prioridade, o que é ótimo para o aprendizado e a memória. Se eles lerem gibis cinco minutos por dia, o papel nunca vai desaparecer.

"Meu filho não carrega sequelas do sequestro. Dois dias depois do estouro do cativeiro, fomos viajar juntos e ele aprendeu que os momentos ruins são finitos. Se eu o tivesse prendido em casa, com seguranças, o trauma teria se ampliado"

Seu filho Marcelo foi sequestrado no ano passado. Como ele assimilou o que aconteceu? Apesar de ter ficado quase vinte dias em cativeiro, o Marcelo não carregou nenhuma sequela. Um dos fatores para isso é que ele ficou o tempo todo com um irmão menor e a mãe, que brigou para ir junto. Graças à presença dela, o Marcelo nunca se sentiu totalmente ameaçado ou sem proteção. Isso bloqueou qualquer dano à cabeça dele. Outro fator importante foi que, dois dias depois do estouro do cativeiro, eu peguei meu filho, coloquei-o no avião e o levei para Boston, onde eu tinha uma palestra para fazer na Universidade Harvard. Foi uma viagem maravilhosa. Ele conheceu Nova York, jogou bola e assistiu a minha conferência. Foi uma das melhores coisas que fiz, porque com isso ele aprendeu que os momentos ruins são finitos. Depois, Marcelo juntou tudo o que viveu nesses dias agitados e cresceu um pouquinho mais. As coisas ruins, dramáticas, ficaram na cabeça dele como se houvesse cortinas tapando. Se eu o tivesse prendido em casa, contratado um monte de seguranças e o proibido de sair, apenas teria ampliado aquela experiência traumática. Como não fiz isso, a ferida cicatrizou.

A alta criminalidade nas cidades brasileiras impede as crianças de brincar na rua ou no campinho, como a Mônica e o Cebolinha. Chegou a hora de mudar o cenário das histórias?Detesto me sentir refém em uma cidade como São Paulo. Fico triste quando ando no meu bairro e vejo que as casas viraram casamatas. Imóveis lindos estão completamente cercados por muros. Briguei muito comigo mesmo para aceitar blindar meu carro. Não queria fazer isso. Tenho ainda um Fusquinha amarelo que não é blindado. Quando o dirijo, o pessoal da empresa me chama de louco. Viver acuado é aceitar uma violência contra nós mesmos. É paradoxal. Evoluímos com tanta firmeza, criando tantas coisas para as crianças, e ao mesmo tempo mostramos tanta fraqueza diante da violência. São coisas que não batem. As crianças devem ter o direito de brincar na rua com segurança. Viajo muito por outros países e percebo que as pessoas não sentem essa tensão que vivemos aqui. Um dia temos de dar um jeito nessa situação.

O senhor tem dez filhos com quatro mulheres, onze netos e um bisneto. Como se lida com uma família tão numerosa? Ninguém pode pensar hoje que casou por toda a vida. As crianças perceberam isso. Pela minha experiência, quando os pais resolvem bem a situação entre eles, os pequenos não estão nem aí. São fortes, adaptam-se. Mesmo se porventura levam uma pancada, recobram-se e voltam ao normal. Quando meus filhos se juntam, são irmãos do mesmo jeito. Claro que às vezes um deles pode ficar com ciúme. É inevitável. Mas dá para contornar. Hoje somos um núcleo familiar em que há hierarquia e disciplina. Há inúmeros casos como o meu. Ao atravessarem essas mudanças, as crianças de hoje em dia ganham muito em autoestima. Aprendem que são capazes de resistir às mudanças e até de ensinar lições aos pais.